O Subemprego e a Nova Zelândia

E aí gente, tudo bem?

Esse final de semana que passou tivemos aqui na Nova Zelândia um “long weekend”, ou seja, segunda-feira nós tivemos uma delícia de um feriado que há tempos não tínhamos. Aliás, o último feriado aqui foi em Junho, aniversário da rainha. Da uma olhada aqui nesse calendário da Nova Zelândia.

Daí você me pergunta “mas meu amor, SUBEMPREGO no título desse post e você começa o texto falando sobre FERIADO? As duas palavras nem combinam na mesma frase, né minha linda? ”
E é ai que vocês, brasileiros, assim como nós, estão enganados. Como nós sempre estivemos…

Neste feriado que passou nós não programamos nenhuma viagem e decidimos ficar aqui por Auckland mesmo. A previsão do tempo não tava muito animadora, não.

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A gente aproveitou bem o NADA mesmo, o sofá, a Netflix, e resolvemos sair de casa só para manter a sobrevivência, ou seja, ir comer alguma coisa.

E é aí que eu queria te contar uma coisa que me fez pensar em fazer esse post..

Por um breve momento a gente ficou um pouco puto que não tinha um lugarziiinho bom (que não fossem os fast-foods 24hs) aberto nessa cidade. MAS COMO? Em pleno sabadão ou domingão véspera de feriado, NoveEMeiaDaNoite, QUALQUER lugar que você pensar em comer TEM QUE estar aberto (além de estar cheio, ter fila de espera e etc, né São Paulo?)…. Bom, fato é que rodamos e rodamos, e estava TUDO FECHADO/ FECHANDO!

Auckland é uma cidade grande e dependendo de onde você foi criado (SP, por exemplo) você até pode discordar. Porém fica fácil de entender o que queremos dizer com “cidade grande” quando um país de 4,5 milhões de habitantes concentra 1,3 milhões de residentes numa cidade.
Mesmo sendo a cidade grande daqui da Nova Zelândia, em Auckland as lojas dos shoppings fecham as 6PM durante a semana, de domingo lojas de rua fecham as 5PM, e a maioria dos restaurantes as 9PM já estão fechados e limpos! INCLUINDO feriados… Alias, você pode encontrar facilmente lojas e restaurantes que nem abrem em feriados.

E ai parando aqueles 5 minutos pra pensar, depois desse feriado, eu tava é mesmo puta comigo mesma, porque não saímos mais cedo de casa pra jantar… porque se os restaurantes não ficam abertos até a hora que eu achar que tenho fome, significa que as pessoas que trabalham lá encerraram seus turnos e foram fazer o que bem entenderem, foram aproveitar o resto do feriado, foram VIVER!

Se você ainda não entendeu onde eu quero chegar….
A realidade brasileira criou na nossa mente uma imagem BEM ruim dos subempregos. O preconceito que nós brasileiros criamos sobre essa palavra e esses empregos está 100% ligado as condições que o indivíduo que está em um subemprego se submete.
Procurar pelo significado de subemprego no google (EM PORTUGUÊS) é bem bizarro e é um conceito que agora que vivemos aqui na Nova Zelândia não faz o MENOR SENTIDO.

O subemprego existe sim em todos os países e é considerado pela maioria deles empregos temporários, para um período do transição de carreira, ou as primeiras oportunidades de um jovem adquirir experiência profissional, ou a chance de entrar no mercado de trabalho para os estudantes internacionais (que geralmente não podem trabalhar no período full time enquanto estudam e por isso encontram empregos que permitem turnos de trabalho).
A gente já contou no post sobre como procurar emprego na Nova Zelândia que qualquer experiência profissional é levada em consideração e pode te ajudar a encontrar o emprego que você almeja. Afinal as características como o caráter, por exemplo, geralmente são as mesmas enquanto você lava um prato, ou negocia com um fornecedor.
Hospitality-workers

O termo subemprego não é visto como depreciação dos trabalhadores em lugares como Europa ou Estados Unidos e quando a gente analisa o mercado de trabalho aqui na Nova Zelândia, nem a diferença salarial é um abismo entre os empregos “qualificados” e os subempregos.

A gente está cada dia mais satisfeito em ver que na Nova Zelândia qualquer pessoa, em qualquer emprego, tem os mesmos direitos, consegue frequentar os mesmos lugares, visitar as mesmas praias, educar seus filhos, viver em lugares seguros e conseguem ter um horário de trabalho decente.
Quando o país aparece entre os tops nos rankings de qualidade de vida a posição de trabalho de um indivíduo é indiferente, porque o que importa para um ser humano é ter as mesmas oportunidades como qualquer cidadão na questão de segurança, saúde pública, lazer…
C-L-A-R-O que aqui você também pode encontrar aquele empregador que faz coisas erradas, que explora o empregado, que burla a lei…. Mas vamos considerar os 80% – 20%, tá?

ranking

Mercer´s Quality of Living Ranking 2017

Eu não to querendo glamourisar nenhum emprego especifico e seria bem hipócrita de falar que então trabalhar como barista em um Café era o emprego que eu queria ter pro resto da minha vida. Mas eu também não vou mentir pra você que trabalhando lá eu não aprendi diversas coisas, melhorei muito meu inglês, consegui juntar um bom dinheiro, comprei um carro, tive tempo pra estudar, e viajei para diversos lugares da Nova Zelândia 🙂

FOODbarista

Hoje quando eu pensei em subemprego eu lembrei de quando eu tinha que trabalhar até as 2 da manhã pra entregar um relatório e no outro dia tinha que estar as 8am para uma reunião. Lembro do transito de 2hs que eu pegava por morar em um lado da cidade e trabalhar em outro e de manter os vidros fechados para não ser assaltada pelo caminho. Lembro também da Diretora (foda e rycah) que eu conheci que estava indo pro seu terceiro casamento e praticamente não via os filhos crescerem devido a todas as viagens internacionais que ela tinha que fazer.

No final das contas, você já parou pra pensar se você quer ter um “subemprego” ou uma “subvida” ?

  1. Arrasô!

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  2. É isso mesmo, a mente do povo brasileiro foi condicionada à relacionar subemprego com algo pejorativo.

    Morei 5 anos em NY e aprendi muito com essa experiência. Trabalhei de tudo quanto foi coisa, desde cuidando de criança, de idoso, cachorros, bar e restaurante mas o que mais gostei mesmo, foi de fazer faxina. E em todos (exceto em uma casa de brasileiros), eu era tratada como igual. No último emprego (cuidando de um idoso) foi o que mais sofri – de ter que ir embora e deixa-los. Nunca fui tão reconhecida e apreciada na minha vida – nem qdo era estilista em SP, ganhava razoavelmente bem e tinha “status”.

    O maior ensinamento que aprendi e jamais vou esquecer foi o da humildade. Que baita lição essa!

    Parabéns pelo blog!

    Amina

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    1. Além de todos esses “ensinamentos” que esse tipo de experiência proporciona, o que nos deixa mais satisfeitos é ver que as pessoas que ocupam essas posições conseguem viver dignamente, tem poder de compra, não precisam trabalhar em vários empregos ou vários turnos seguidos para sobreviver e ainda conseguem aproveitar o tempo livre com a família e amigos.

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      1. Exatamente! E ainda descobrimos que ter coisas não é sinônimo de ser feliz. É bom, mas não é tudo nessa vida!

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  3. Fernanda Pereira abril 13, 2018 às 13:14

    Excelente! estou refletindo até agora nesse tema…

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