Talvez a maior preocupação de quem quer se mudar pra um país estrangeiro seja a dificuldade de conseguir um emprego.

Se você acompanha nosso blog já sabe como encontramos lugar pra morar, quanto gastamos com comida e outras coisas, também já viu algumas viagens que fizemos e lugares que visitamos. Mas nada disso seria possível se não estivéssemos trabalhando. Então, baseado nas nossas experiências pessoais, vamos tentar ajudar você a arrumar seu primeiro emprego e esclarecer algumas dúvidas.

O que eu preciso antes de começar a procurar um emprego?

IRD: equivalente ao CPF no Brasil, você vai precisar informar seu empregador o número do seu IRD para que ele identifique você como contribuinte do imposto de renda ao pagar seu salário. Para saber como tirar o IRD consulte o site.

Conta em banco: os bancos mais procurados por estrangeiros aqui são o ANZ, ASB, e o Kiwibank. Todos eles possuem conta sem custo para estudantes e oferecem serviços bastante similares. Você precisará de um comprovante de residência para abrir a conta. Se você está vindo estudar, sua escola provavelmente poderá te fornecer um comprovante de residência. Desses, o Kiwibank foi o único que aceitou o comprovante fornecido pela escola, porém tivemos uns probleminhas com o atendimento do banco e mudamos para o ASB, que se prontificou a enviar uma carta para o nosso endereço que pôde ser usada como comprovante de residência 👍.

Visto: parece óbvio, mas é bom reforçar. Você precisa ter um visto válido para trabalhar pois aqui é raro encontrar um empregador que contrate sem o visto ou pague o salário por fora.

Força de vontade: procurar emprego aqui (e em qualquer lugar do mundo) exige paciência e muita força de vontade. Pode chamar de cara-de-pau também, pois muitas vezes você vai precisar dar a cara a tapa pra entregar seu currículo pessoalmente de porta em porta. Você também precisa saber lidar com as respostas negativas. Pode ser um pouco frustrante ser rejeitado para um emprego claramente abaixo das suas qualidades e experiências profissionais. O jeito é não desanimar e partir pra próxima que uma hora dá certo!

Onde procurar?

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Trade Me: o site usado pelos Kiwis para tudo obviamente também é muito utilizado para anúncios de emprego. E funciona de verdade. Foi por aqui que eu, Gustavo, consegui o meu atual emprego como vendedor em uma loja de móveis. A ferramenta de pesquisa permite que você filtre as vagas de acordo com sua necessidade e selecione as vagas que mais lhe interessam.

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Seek: site gratuito especializado em busca de empregos. Ferramenta de pesquisa semelhante a do Trade Me. Costumávamos salvar nossas buscas e recebíamos diariamente uma lista de vagas de acordo com nosso perfil. Também tivemos bons resultados com esse site e fomos chamados para algumas entrevistas.

 

Facebook: procure pelos grupos de brasileiros na Nova Zelândia ou na cidade que você mora, ou páginas de empregos como a Auckland Jobs. Além de servir para ampliar sua rede de relacionamentos, sempre tem alguém postando oportunidades de emprego. Também chegamos a fazer entrevistas para vagas postadas no Facebook.

Anúncios pela rua: quando começamos a procurar emprego andávamos sempre com nossos currículos impressos e parecíamos dois retardados olhando todas as vitrines de lojas e restaurantes procurando anúncios de “staff wanted”. E existem vários! Entregamos uma série de currículos mas apesar de algumas pessoas terem conseguido dessa forma, para nós não funcionou.

Agências de labour: aqui em Auckland existem várias agências que estão sempre contratando estudantes para trabalhar na construção civil ou outros serviços relacionados. Não é necessário ter experiência mas é necessário estar fisicamente apto. Me cadastrei na Onestaff, onde tive minha primeira experiência de trabalho aqui na NZ, mas foi na AWF onde eu passei algumas semanas trabalhando em vários locais diferentes. Aqui eu conto mais sobre minha experiência como labour na NZ! Vale a leitura!

Indicações: o famoso QI por aqui é importantíssimo, e os Kiwis realmente valorizam candidatos indicados. Então pergunte pro seu amiguinho de escola, do facebook, pro vizinho… Foi assim que a Stella conseguiu o atual emprego dela em uma café, graças a uma indicação dos lindões do Saindo da Rota.

Quais são as maiores dificuldades?

Horários da escola: nossas aulas são de quarta, quinta e sexta, das 9:30 as 17:00, então perdemos algumas oportunidades que precisavam de alguém que trabalhasse todos os dias no período da tarde, por exemplo. Estávamos limitados a trabalhar no turno da noite em restaurantes ou encontrar alguma vaga que precisasse de alguém exatamente nos dias que tínhamos disponibilidade, que foi o que aconteceu.

Inglês: quanto melhor seu nível de inglês, mais oportunidades você terá. Não espere encontrar um emprego como vendedor se você não consegue manter uma conversa em inglês. Se você está chegando com um inglês básico, suas opções serão limitadas a ajudante de cozinha ou labour. E mesmo para labour, você vai precisar pelo menos entender o idioma para assimilar algumas instruções.

Experiência: passamos boa parte de nossas vidas estudando e trabalhando em grandes empresas, bancos, multinacionais. Mas, infelizmente, isso pode significar que não temos experiência suficiente para trabalhar como garçom, recepcionista, ou seja lá qual vaga você encontre por aqui. Sim, existem vagas na nossa área, muitas até compatíveis com o nosso visto, porém voltamos ao problema dos horários, já que a maioria exige disponibilidade diária em horário comercial.

Currículo e Cover Letter: sempre consideramos ter ótimos currículos, porém para concorrer a uma vaga de vendedor de loja de nada importa sua experiência de anos como analista, seu vasto conhecimento em Excel, ou todo o seu conhecimento em finanças. A solução que encontramos para esse problema foi buscar lá nas entrelinhas do nosso currículo qualquer atividade relacionada a atendimento a cliente, inclusive aquela experiência de 10 anos atrás trabalhando no shopping, e até aquela vez que você trabalhou com seu pai só pra ajudar. É importantíssimo criar um currículo customizado para a vaga que você está concorrendo, ressaltando apenas as experiências relevantes para a vaga. Aqui também pede-se a tal da Cover Letter em alguns casos. Se quiser criar o seu no padrão da NZ e ver alguns modelos de Cover Letter, recomendamos usar o site careers.govt.nz.

Entrevistas/Trials

Se você fez tudo isso que listamos acima, com certeza conseguirá ao menos uma entrevista ou um trial (assim esperamos 😉). Mas como se preparar? No Brasil, quando participávamos daqueles intermináveis processos seletivos, estudávamos a empresa, decorávamos nosso currículo, treinávamos falar sobre nossos pontos fortes e fracos e etc… Pois aqui as entrevistas que fizemos não foram muito diferentes. Se for possível, pesquise sobre seu empregador, mostre-se interessado, e se prepare para responder perguntas sobre você e suas experiências e características profissionais e pessoais, só que dessa vez em inglês. Em alguns casos também fizemos uma espécie de pré-entrevista pelo telefone.

Outra prática comum por aqui são os trials. Um trial significa fazer um teste prático, geralmente de 1 hora, para avaliar como você se comporta no trabalho. A Stella fez dois, um em uma casa de sucos e saladas e outro numa loja de sapatos como vendedora. Pela lei, o trial deve ser pago, mas na prática nem sempre acontece.

Se você preencher todos os requisitos para a vaga, ainda é possível que seu empregador queira checar suas referências do currículo. Minha chefe chegou a enviar um email para meu antigo gestor no Brasil e só me comunicou que eu tinha sido contratado após receber uma resposta positiva. Também incluí como referência uma das professoras no meu curso aqui na NZ e ela também foi consultada. Então se você não incluiu referências no seu currículo volta lá e pensa melhor!

Contrato de Trabalho e Salários

Se você foi aprovado, parabéns! Será solicitado que você envie seus documentos e preencha algumas informações e assine um contrato de trabalho, onde constarão informações sobre horários, tipo de contrato (part time, casual, etc…), salários e suas atividades.

O salário é contabilizado por hora e pago semanal ou quinzenalmente. O valor do salário mínimo aqui na NZ é de $15.25 por hora, e geralmente o salário pago para estudantes fica entre o mínimo até uns $18/por hora, mas é possível encontrar vagas que pagam mais do que isso.

Agora que você já sabe tudo é só ir a luta e pensar positivo 👊!

Como sempre, nossos posts tem como base nossa experiência pessoal, então se você tem algo acrescentar, discordar, ou alguma dúvida em relação ao tema, seu comentário é mais que bem vindo!