Rangitoto Island – Auckland

A Rangitoto Island,  ilha nomeada pelo maior e mais jovem vulcão de Auckland está localizada no golfo de Hauraki, bem à frente de outra famosa ilha da região, Waiheke. O vulcão é provavelmente a formação mais famosa de Auckland pelo simples fato de estar presente no horizonte de praticamente todas as praias e montanhas da cidade. Continue Lendo “Rangitoto Island – Auckland”

O Subemprego e a Nova Zelândia

E aí gente, tudo bem?

Esse final de semana que passou tivemos aqui na Nova Zelândia um “long weekend”, ou seja, segunda-feira nós tivemos uma delícia de um feriado que há tempos não tínhamos. Aliás, o último feriado aqui foi em Junho, aniversário da rainha. Da uma olhada aqui nesse calendário da Nova Zelândia.

Daí você me pergunta “mas meu amor, SUBEMPREGO no título desse post e você começa o texto falando sobre FERIADO? As duas palavras nem combinam na mesma frase, né minha linda? ”
E é ai que vocês, brasileiros, assim como nós, estão enganados. Como nós sempre estivemos…

Neste feriado que passou nós não programamos nenhuma viagem e decidimos ficar aqui por Auckland mesmo. A previsão do tempo não tava muito animadora, não.

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A gente aproveitou bem o NADA mesmo, o sofá, a Netflix, e resolvemos sair de casa só para manter a sobrevivência, ou seja, ir comer alguma coisa.

E é aí que eu queria te contar uma coisa que me fez pensar em fazer esse post..

Por um breve momento a gente ficou um pouco puto que não tinha um lugarziiinho bom (que não fossem os fast-foods 24hs) aberto nessa cidade. MAS COMO? Em pleno sabadão ou domingão véspera de feriado, NoveEMeiaDaNoite, QUALQUER lugar que você pensar em comer TEM QUE estar aberto (além de estar cheio, ter fila de espera e etc, né São Paulo?)…. Bom, fato é que rodamos e rodamos, e estava TUDO FECHADO/ FECHANDO!

Auckland é uma cidade grande e dependendo de onde você foi criado (SP, por exemplo) você até pode discordar. Porém fica fácil de entender o que queremos dizer com “cidade grande” quando um país de 4,5 milhões de habitantes concentra 1,3 milhões de residentes numa cidade.
Mesmo sendo a cidade grande daqui da Nova Zelândia, em Auckland as lojas dos shoppings fecham as 6PM durante a semana, de domingo lojas de rua fecham as 5PM, e a maioria dos restaurantes as 9PM já estão fechados e limpos! INCLUINDO feriados… Alias, você pode encontrar facilmente lojas e restaurantes que nem abrem em feriados.

E ai parando aqueles 5 minutos pra pensar, depois desse feriado, eu tava é mesmo puta comigo mesma, porque não saímos mais cedo de casa pra jantar… porque se os restaurantes não ficam abertos até a hora que eu achar que tenho fome, significa que as pessoas que trabalham lá encerraram seus turnos e foram fazer o que bem entenderem, foram aproveitar o resto do feriado, foram VIVER!

Se você ainda não entendeu onde eu quero chegar….
A realidade brasileira criou na nossa mente uma imagem BEM ruim dos subempregos. O preconceito que nós brasileiros criamos sobre essa palavra e esses empregos está 100% ligado as condições que o indivíduo que está em um subemprego se submete.
Procurar pelo significado de subemprego no google (EM PORTUGUÊS) é bem bizarro e é um conceito que agora que vivemos aqui na Nova Zelândia não faz o MENOR SENTIDO.

O subemprego existe sim em todos os países e é considerado pela maioria deles empregos temporários, para um período do transição de carreira, ou as primeiras oportunidades de um jovem adquirir experiência profissional, ou a chance de entrar no mercado de trabalho para os estudantes internacionais (que geralmente não podem trabalhar no período full time enquanto estudam e por isso encontram empregos que permitem turnos de trabalho).
A gente já contou no post sobre como procurar emprego na Nova Zelândia que qualquer experiência profissional é levada em consideração e pode te ajudar a encontrar o emprego que você almeja. Afinal as características como o caráter, por exemplo, geralmente são as mesmas enquanto você lava um prato, ou negocia com um fornecedor.
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O termo subemprego não é visto como depreciação dos trabalhadores em lugares como Europa ou Estados Unidos e quando a gente analisa o mercado de trabalho aqui na Nova Zelândia, nem a diferença salarial é um abismo entre os empregos “qualificados” e os subempregos.

A gente está cada dia mais satisfeito em ver que na Nova Zelândia qualquer pessoa, em qualquer emprego, tem os mesmos direitos, consegue frequentar os mesmos lugares, visitar as mesmas praias, educar seus filhos, viver em lugares seguros e conseguem ter um horário de trabalho decente.
Quando o país aparece entre os tops nos rankings de qualidade de vida a posição de trabalho de um indivíduo é indiferente, porque o que importa para um ser humano é ter as mesmas oportunidades como qualquer cidadão na questão de segurança, saúde pública, lazer…
C-L-A-R-O que aqui você também pode encontrar aquele empregador que faz coisas erradas, que explora o empregado, que burla a lei…. Mas vamos considerar os 80% – 20%, tá?

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Mercer´s Quality of Living Ranking 2017

Eu não to querendo glamourisar nenhum emprego especifico e seria bem hipócrita de falar que então trabalhar como barista em um Café era o emprego que eu queria ter pro resto da minha vida. Mas eu também não vou mentir pra você que trabalhando lá eu não aprendi diversas coisas, melhorei muito meu inglês, consegui juntar um bom dinheiro, comprei um carro, tive tempo pra estudar, e viajei para diversos lugares da Nova Zelândia 🙂

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Hoje quando eu pensei em subemprego eu lembrei de quando eu tinha que trabalhar até as 2 da manhã pra entregar um relatório e no outro dia tinha que estar as 8am para uma reunião. Lembro do transito de 2hs que eu pegava por morar em um lado da cidade e trabalhar em outro e de manter os vidros fechados para não ser assaltada pelo caminho. Lembro também da Diretora (foda e rycah) que eu conheci que estava indo pro seu terceiro casamento e praticamente não via os filhos crescerem devido a todas as viagens internacionais que ela tinha que fazer.

No final das contas, você já parou pra pensar se você quer ter um “subemprego” ou uma “subvida” ?

Summer Trips NZ: Waiheke Island

Voltamos com mais uma dica pra aproveitar esse verãozão (!?) aqui na Nova Zelândia! Dessa vez pegamos o Ferry e partimos pra conhecer a Waiheke Island, uma ilha localizada a 35 minutos de viagem por ferry de Auckland.

É possível pegar o ferry a partir do centro da cidade, mas se você estiver em North Shore vale a pena pegar o ferry a partir de Devonport. O preço da passagem é o mesmo, 36 dólares nz ida e volta, mas vale ficar ligado em sites como o GrabOne que costumam oferecer alguns tickets com desconto, principalmente fora de temporada.

Pois bem, pegamos a ferry de Devonport por volta das 9am. Chegando em Waiheke, pegamos um ônibus em direção a Onetangi Beach, uma praia um pouco mais afastada, mais tranquila e mais bonita do que a movimentada Oneroa Beach.

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Onetangi Beach

Passamos a manhã curtindo a praia e quando a fome bateu pegamos o ônibus de volta e paramos para comer no Frenchôt, uma creperia daquelas que só um local poderia nos recomendar, localizada em Surfdale. Apesar de cara, como quase tudo na ilha, provamos e aprovamos o crepe e o quiche sentados no aconchegante jardim do restaurante, tomamos uma cerveja e seguimos de volta para Oneroa, a região mais movimentada da ilha, com muitos comércios, bares e restaurantes.

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Entrada do Frenchôt
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Área externa

Caminhamos um pouco pelas lojinhas e paramos pra tomar o concorrido sorvete do Island Gelato. Seguimos em direção a praia de Oneroa, muito mais movimentada do que Onetangi, já que muitos barcos de passeio param ali na baía.

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Island Gelato Co.

Ao voltar para Matiatia Bay, de onde saem os ferrys de volta pra Auckland, paramos pra comer alguma coisa e tomar mais uma cerveja.

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Estrutura montada logo na chegada a Waiheke, onde termina a Sculpture Walk

Ainda deu tempo de fazer a famosa Sculpture Walk, uma exibição de esculturas a céu aberto, onde você literalmente caminha por 2 km por uma trilha contemplando vistas incríveis e esculturas que se misturam na natureza. Pra chegar no início da trilha é preciso pagar um transfer de ônibus no valor de 5 dólares nz e mais uma doação simbólica (não obrigatória) onde você ganha uma pulseira de borracha.

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Uma das esculturas da Sculpture Walk

Precisamos correr um pouco pra terminar a caminhada em cerca de 1 hora, já que o último ferry para Devonport sairia as 06:15pm.

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Última escultura do passeio

Voltamos para Auckland com a sensação de que ainda temos muito pra conhecer em Waiheke com por exemplo as inúmeras vinícolas da ilha. Possivelmente voltaremos com mais tempo, talvez para dormir uma noite na ilha, conhecer algumas vinícolas e outros cantos escondidos e, obviamente, contar tudo por aqui!

Summer Trips NZ: Omaha Beach

Omaha é uma cidadezinha praiana localizada a apenas de 1 hora de Auckland (74km). Destino popular de férias e final de semana dos kiwis, a praia é bem selvagem, longa, espaçosa, areia branquinha, mar calmo de água cristalina e muitas conchas.

Esse verão da Nova Zelândia tá demorando pra engrenar, mas timidamente os dias de sol e calor estão começando a dar as caras. E aí não tem como ficar parado com tantos lugares pra explorar perto de Auckland, então nos nossos dias de folga estamos sempre dando uma escapada pra conhecer um lugarzinho diferente. E por que não compartilhar as dicas das nossas Summer Trips aqui com vocês?!

Nosso primeiro destino foi Omaha Beach!

A praia é bem deserta e por aqui não existem ambulantes (#obrigadasenhor) ou barracas na praia, então se bater a fome, existem algumas lojinhas e um café na entrada principal da praia, mas nós sempre preferimos levar nossos snacks e bebidas.

Dica NMN: pela proximidade, nós recomendamos uma parada na vila de Matakana pra tomar um sorvete de frutas orgânicas feito na hora ou tomar uma cerveja em um dos pubs da vila.

E aí, curtiu o passeio?

Então fica ligado que vai ter muito mais!

Retrospectiva 2016

E aí mundo! Faz tempo que o casal aqui não dá notícias pelo blog, né não? Pois é, esse final de ano foi bastante corrido pra nós enquanto tentávamos nos dividir entre emprego e os muitos trabalhos e provas da escola. Mas a boa notícia é que o curso acabou, conseguimos nossos diplomas e acabamos de aplicar pro visto de trabalho . E antes de virar a página do calendário decidimos fazer um último post!

E tem jeito melhor de terminar o ano do que com uma retrospectiva de todas as novas experiências que esse ano de 2016 nos proporcionou? Então vamos aos fatos…

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Janeiro

Começamos o ano com tudo programado pra nossa mudança. O visto da Stella já havia saído no fim de Dezembro enquanto eu ainda esperava o meu. Apesar de estarmos bem adiantados em relação aos prazos, rolava uma ansiedade pois tínhamos aplicados na mesma data. No fim, tudo certo… Recebi meu visto e seguimos o planejamento.

Fevereiro

Com praticamente tudo certo para a mudança, faltava nos despedirmos dos nossos antigos empregos. Já tínhamos avisado que nos mudaríamos, então tudo não passou de uma formalidade. Mas pra quem desde o primeiro estágio nunca havia experimentado a sensação de ficar desempregado cortar esse vínculo foi um marco pra esse novo mundo que estávamos construindo. Também aproveitamos a folga do Carnaval para visitar alguns amigos em Florianópolis e Itajaí e nos despedir desse lugar que amamos tanto!

Março

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Enfim, casados!

Depois de mais de 15 anos juntos (isso mesmo!) e mais de 1 ano morando juntos finalmente chegou o dia de dizer sim, assinar os papéis e finalmente sermos declarados marido e mulher. Comemoramos com uma pequena festa, um misto de casamento e despedida, um dia que vamos lembrar sempre com muito carinho!

E 20 dias depois estaríamos entrando no avião rumo a maior mudança de nossas vidas. Veja aqui como foi nossa viagem de ida pra Nova Zelândia.

Abril

Tivemos poucos dias pra explorar a cidade de Auckland antes do nosso curso começar. Até porque nosso primeiro desafio por aqui foi encontrar um lugar pra morar. Depois de algumas visitas desanimadoras, finalmente encontramos nosso primeiro lar na Nova Zelândia, um studio no centro da cidade, onde passaríamos os próximos 6 meses. Foi também em Abril que eu consegui o meu primeiro emprego e comecei a trabalhar casualmente como labour.

Maio

Continuávamos procurando emprego, e lá pelo meio do mês consegui o meu segundo emprego por aqui e comecei a trabalhar como vendedor em uma loja de móveis. Alguns dias depois a Stella também conseguiu um emprego num café. Veja aqui como foi nossa busca por emprego e algumas dicas de como conseguir.

Junho

Depois de 2 meses ralando e tentando se encaixar na nova rotina, conseguimos fazer nossa primeira viagem pelo país. É verdade que foi uma curtinha, de apenas 2 dias, mas era o que dava pra fazer com os nossos compromissos. Conhecemos Rotorua e Taupo e registramos tudo!

Julho

O nosso primeiro inverno! O primeiro semestre do curso chegava na reta final e com ele muitos trabalhos pra entregar e provas. Porém mais uma vez conseguimos uma brecha na nossa agenda pra conhecer a estação de ski do Mount Ruapehu e tentar praticar snowboard pela primeira vez.

Agosto

Enfim, férias! Aproveitamos o fim do primeiro semestre e tiramos 5 dias de férias para fazer uma viagem de campervan pela Ilha Norte da Nova Zelândia. Passamos por Hamilton, Raglan, Kawhia, New Plymouth, Mokau e Waitomo. Leia tudo em detalhes aqui!

Setembro

Setembro passou e a maior mudança foi a compra do nosso carro, a Ravinha! Ainda não falamos detalhadamente sobre isso, mas pretendemos contar em breve como foi todo o processo pra compra do nosso carro. Ah, também compramos uma bike!

Outubro

Mudamos de casa! Saímos do nosso studio no centro para morar numa casa em North Shore junto com um casal, ela Americana e ele Kiwi as! Também mudei de emprego e acabei indo trabalhar em uma outra loja de móveis, aqui do ladinho de casa, e passei a ir trabalhar de bike. Em Outubro também realizamos um dos nossos desejos aqui e fomos assistir a um jogo dos All Blacks no estádio.

Novembro

Recebemos nossa primeira visita aqui na Nova Zelândia. Nosso amigo Boca, que atualmente mora em Noosa na Austrália, pegou a ponte aérea e veio passar uns dias aqui em Auckland. Além de alguns passeios pela cidade, o levamos para conhecer Rotorua.

Dezembro

Enfim chegamos ao final do nosso curso! Pegamos nossos diplomas e agora começamos uma nova fase. Passamos nosso primeiro Natal longe da família mas acabamos ganhando uma outra família de presente. Continuamos trabalhando, planejando novas viagens (talvez uma ainda nessa virada de ano) e nos preparando pra 2017. E que esse próximo ano seja tão bom e intenso quanto esse que passou!

Ah… Não deixem de seguir nossas redes sociais pra ficar por dentro de todas as novidades de 2017!

 

All Blacks x Australia

Desde o dia em que pensamos em nos mudar pra Nova Zelândia tínhamos esse desejo: Assistir um jogo do All Blacks no estádio.

 

O dia era 22 de Outubro de 2016. O local, Eden Park Stadium em Auckland. O jogo, All Blacks x Australia, a maior rivalidade do Rugby mundial. O ambiente do estádio era bastante familiar, apesar da rivalidade entre as duas equipes. O resultado, 37 x 10 pra “nós”, o que assegurou um recorde de 18 vitórias consecutivas, a maior sequência da história do rugby mundial (nem dá pra tirar onda de pé quente)!

Apesar de ainda não conhecermos todas as regras do jogo, deu pra curtir e se envolver com a partida. Além disso, assistir ao vivo uma das equipes esportivas mais dominantes de todos os tempos não tem preço!
Se você tiver essa oportunidade, não perca!
O rugby faz parte da cultura kiwi tanto quanto o futebol faz parte da nossa. Mas fique ligado na venda dos ingressos pois eles se esgotam muuito rapidamente.

No mais, assista o vídeo e veja nossas reações e um pouco da atmosfera do estádio.

Até a próxima!

Mudamos de Casa!

Se você já nos acompanha ou leu alguns posts anteriores sabe que passamos boa parte desses últimos 6 meses morando em um studio (quarto/cozinha/banheiro) no centro da Auckland. O contrato que fechamos pelo studio era de 6 meses e já estava chegando ao fim, então era hora de decidir se ficaríamos mais 6 meses ali ou procuraríamos um novo lar. Bom, pelo título do post spoiler alert você já deve imaginar qual foi a decisão.

Sim, decidimos procurar um novo teto e vamos contar como foi o processo. Primeiramente, vamos aos principais motivos que nos fizeram decidir sair do nosso studio.

Custo de vida no centro de Auckland

Viver no centro tem suas vantagens, é perto da nossa escola, das principais estações de trem e de ônibus, restaurantes e parques. Mas tudo isso tem um preco. E no nosso caso o preço veio em forma de conta de energia e de água/gás. Além do nosso aluguel de $340 por semana (na verdade era $390 mas alugavamos nossa garagem por $50), pagávamos mensalmente em torno de $100 de energia e $80 de água/gás, sem contar os $75 de internet. Pesquisamos um pouco e concluimos que poderiamos pagar o mesmo valor de aluguel com todas essas despesas inclusas.

Estilo de vida

Somos de São Paulo e sabemos como é morar numa grande cidade. Quando escolhemos vir pra Nova Zelândia tínhamos como objetivo principal deixar pra trás a correria da cidade grande. Por mais que Auckland seja a maior cidade da Nova Zelandia, existem muitos bairros residenciais tranquilos, sem prédios, casas sem portões e bastante verde. Diferentemente do centro, que é como qualquer centro de cidade grande, com muitos prédios, muita gente, e pouca convivência com o inglês nativo. Como diria a Stella, “nada a ver”!

Custos de ter um carro

A nossa Ravinha ❤
Decidimos comprar um carro pra faciliar nossa vida por aqui. O transporte público, apesar de eficiente, ainda é bastante limitado e chegar em alguns lugares pode custar horas do seu dia se você depender apenas de trem e ônibus. Com a compra do carro perderíamos a receita do aluguel da nossa vaga, o que acrescentaria $200 mensais nas nossas depesas.

Quando iniciamos nossa procura pela nova casa, consideramos as seguintes opções: encontrar uma unit como eles chamam aqui, que nada mais é do que um puxadinho espaço auto-sustentável (com banheiro e cozinha próprios) dentro de uma outra casa, ou dividir a casa com outras pessoas, algo que é muito comum por aqui já que geralmente as casas são bem grandes e as famílias nem tanto.

Optamos por procurar uma casa para dividir, porquê depois de 6 meses morando num “quarto” queríamos mais espaço. Além disso, acreditamos que a convivência com outras pessoas podia ser bom pro nosso inglês e pra ampliar nosso “network”. Usamos basicamente o TradeMe pra procurar as casas, ja que eles tem uma sessao especialmente pra esse tipo de moradia, o Flatmates Wanted. Nosso critério de seleção foi o seguinte:

  • Preço: entre $300 e $400 com as contas inclusas.
  • Localização: próxima ao trabalho de um de nós dois.
  • Língua: inglês como língua oficial da casa, de preferência nativo.
  • Privacidade: banheiro exclusivo ou bom espaco privativo.

A primeira casa que nos interessamos, um anúncio de uma família do tipo “comercial de margarina”, nem chegamos a visitar. Chegamos tarde, logo que entrei em contato fui informado que havia uma pessoa interessada e me avisariam caso ela desistisse. Não aconteceu.

Visitamos também uma casa em Takapuna, vista pro lago, porém antiga, um pouco mal cuidada e que não atendia nossa exigência em relação a língua, já que a dona/locatária era chinesa.

Depois disso visitamos 2 casas na região de Glenfield/Hillcrest, bem próximas ao meu trabalho. Gostamos das duas, os preços eram similares e estava bem difícil de decidir. No entanto, mais uma vez chegamos tarde em uma delas e outra pessoa que já tinha visitado decidiu ficar com a suíte, o que facilitou nossa escolha pela outra casa.

Nossas visitas foram sempre bem rápidas. Rolava aquele tour básico pelas instalações, falávamos do preço e conversávamos um pouco pra mostrar o quanto somos legais e seríamos ótimos flatmates 😇. Brincadeiras a parte, sempre procurávamos conversar pra saber se rolava alguma empatia logo de cara, afinal ninguém quer viver numa casa com pessoas que não tem o mínimo em comum.

Pra fazer a mudanca usamos a Ravinha. Como deu pra ver no vídeo, usamos mesmo! Foram 3 viagens pra conseguir levar tudo do studio pra casa nova. Não parece mas em 6 meses acumulamos algumas coisas como utensílios de cozinha, uma mesa dobrável, caixas, uma bike, uma estante… fora tudo que trouxemos do Brasil.

Essa é a nossa segunda semana morando na casa nova e estamos curtindo bastante. Nosso quarto é bem privado, temos bastante espaço e os donos da casa são ótimos, um casal (kiwi/americana) bem tranquilo e sociável. Também mora na casa um outro rapaz americano, parente da dona, que tem os horários tão diferentes dos nossos que só nos encontramos 2 vezes! A vizinhança é bastante verde e continuamos tendo tudo por perto (mercados, lojas, trabalho… eu ouvi fabrica de sorvete 🍦?). Agora a Stella vai de carro pro trabalho e eu vou de bike ou a pé. Continuamos cozinhando e fazendo tudo que fazíamos no nosso antigo studio, porém numa casa muito mais equipada e com muito mais espaço. Pagamos $330 por semana com todas as despesas inclusas, o que irá nos gerar uma economia mensal de aproximadamente $300.

E viveram felizes para sempre…. (calma, ainda não)

Quer saber mais sobre moradia na NZ, clique AQUI!

Balanço Geral – 6 meses de Nova Zelândia

Dizem que o tempo passa mais rápido quando fazemos o que gostamos. Talvez seja por isso que esses últimos 6 meses passaram tão depressa. Ainda temos muito pra conhecer e viver por aqui, então as vezes rola aquela sensação de “cheguei ontem”, mas a verdade é que muita coisa já aconteceu desde que pisamos na Nova Zelândia pela primeira vez.

Continue Lendo “Balanço Geral – 6 meses de Nova Zelândia”

Trabalhando de Labour na Nova Zelândia

Já fazia quase um mês desde que tínhamos desembarcado em Auckland e desde então nossos gastos se acumulavam ao longo dos dias. Comida, transporte, moradia… por mais que nós tivéssemos nos preparado e planejado ficar até 3 meses sem precisar trabalhar, começou a bater um desespero de ver nosso dinheiro só diminuindo.

E foi assim que começamos nossa busca por emprego aqui na NZ, cerca de 20 dias depois da nossa chegada.

No começo tudo parecia muito difícil, ainda estávamos nos adaptando ao idioma, ao clima, as aulas já haviam começado, e nenhuma das vagas que aplicamos havia dado algum retorno. Então resolvi me cadastrar em algumas agências de labour, dessas que contratam estudantes e outros viajantes temporários para serviços gerais na área da construção. Peão mesmo, saca?

A primeira a me dar um retorno foi a Onestaff, que me chamou para uma espécie de entrevista. E lá fui eu, sem a menor idéia do que eu ia fazer.
Bom, a moça que me atendeu pediu para eu preencher um formulário com meus dados, um outro assinalando minhas experiências profissionais (nulas, no que diz respeito a trabalhos braçais), mais alguns papéis atestando que eu estava fisicamente apto para o tipo de trabalho, me falou um pouco sobre o tipo de trabalho que eles poderiam me arrumar e perguntou se eu realmente tinha interesse no trabalho. Sim, eu tinha! Não via a hora de ganhar algum dinheiro, seja lá qual fosse o trabalho!

Então ela pediu que eu entrasse em um banheiro e urinasse dentro de um potinho. Isso mesmo, caí no antidoping sem nem entrar em campo! Mas como sou caretão, tava tudo limpo.
Depois, me deixaram numa sala junto com outro cara assistindo um vídeo sobre segurança no trabalho, com as encenações mais bizarras e mórbidas, e ainda nos fizeram responder um teste para avaliar nosso entendimento sobre o assunto. Pra fechar, como eu não tinha nenhum equipamento para trabalhar, ganhei um kit com botas, colete laranja, capacete, óculos, luvas e protetor de ouvidos.
Ah, também assinei um termo me comprometendo a devolver o kit caso eu me desligasse da empresa, caso contrário seria descontado dos meus rendimentos.

Voltei pra casa sem ter certeza de quando eu começaria a trabalhar e nem de qual seria o trabalho, até que logo nos dias seguintes recebo uma ligação da mesma moça me chamando para um trabalho.

Minha função seria cimentar uma estrutura dentro de uma empresa de tratamento de lixo…… Bora!
Compareci no horário combinado pra pegar carona com 2 iranianos até o local do trabalho. Passei quase 10 horas trabalhando, espalhando cimento em uma ladeira por cima de uma tubulação, debaixo de sol. Entre um caminhão de cimento e outro, contava meus planos a um funcionário da empresa que estava nos ajudando no dia, e ouvia algumas palavras de incentivo.

No fim, já cansado, os iranianos acabaram me deixando no ponto de ônibus errado e ainda tive que andar mais 30 minutos até o ponto certo. Era um trabalho de um dia só, agora teria que esperar a agência me ligar de novo.
Cheguei em casa esgotado, confesso que fiquei me perguntando se valia a pena passar por isso. A resposta veio logo que recebi meu pagamento, algo em torno de $160 pelo dia. Não via a hora de ir de novo!

A Onestaff nunca mais me chamou pra nenhum trabalho, mas em compensação, logo na semana seguinte recebi uma ligação da AWF, a maior agência de recrutamento nessa área.
Compareci ao escritório e passei pelo mesmo processo de contratação. Dessa vez me garantiram trabalho toda segunda e terça, os únicos dias que eu tinha disponibilidade.
Era só esperar a van ali no centro, ir até a agência e eles me levariam até o local de trabalho. Aliás, eles me pareceram muito mais organizados e com muito mais trabalho pra oferecer.

E essa foi minha rotina por algumas semanas. Trabalhei carregando entulho, serrando tábua, desmontando andaime, descarregando caminhão, reformando jardim, cortando mato na beira da estrada, usei britadeira (!), misturei cimento… embaixo de chuva ou de sol, e qualquer outra coisa que me pedissem pra fazer na obra, quase sempre ganhando o salário mínimo ($15.25 /hora).
Fiz isso por pouco mais de um mês, até ser chamado pra trabalhar em uma loja de móveis como vendedor.

Durante esse tempo conheci gente do mundo todo, uns juntando uma grana pra poder continuar viajando, outros se virando pra ajudar a família. Me divertia na volta pra casa ouvindo as histórias e falando besteira. Pode parecer cliché, mas também foi legal me despir desse preconceito que eu achava que não tinha, mas que no fundo sempre achava que as pessoas estavam me julgando por estar voltando todo sujo de um dia de trabalho. Vale lembrar que sempre fui tratado com enorme respeito por aqui.

Voltava pra casa sempre bastante cansado, mas com uma sensação bacana de que havia feito algo importante. Eu que estava acostumado a ver o resultado do meu trabalho somente em números, dessa vez podia ver o resultado ali com meus próprios olhos.

Não posso dizer que esse é o tipo de trabalho que eu quero pra minha vida, mas afirmo com toda certeza que se um dia eu precisar estarei lá com meu “kit peão” na mochila, pronto pra outra.

ps: até hoje, a Onestaff nunca me cobrou pelo kit, mas também nunca mais me chamou pra trabalhar… acho que esqueceram de mim.