Tento Media… éééé do BraZiiiil !

Desde o início do nosso projeto de imigração para a Nova Zelândia a gente acredita que PlanejamentoPreparação são passos essenciais para conseguir realizar esse projeto de vida tão importante. Infelizmente não é incomum vermos por aí (nos grupos do facebook, principalmente) muita “história triste” ou pessoas colocando o terror sobre a vida na Nova Zelândia. Porém, é só ir um pouco mais fundo no desenrolar da história que fica fácil de entender o verdadeiro porquê de não ter dado certo para algumas pessoas.

Particularmente, a gente acredita muito que a afirmação “você atrai o que transmite” é bem verdadeira, e atualmente criamos um círculo de amigos aqui na Nova Zelândia muito bacana os quais estamos todos no “mesmo barco”. A gente troca experiências, a gente se ajuda, se aconselha, e todos estão conseguindo alcançar seus objetivos.

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O Felipe e a Mari são dois brasileiros que cruzaram o nosso caminho por aqui. Eles vieram do Rio de Janeiro (vascaíno, coitado!) e assim como a gente, já tinham viajado para alguns lugares no mundo e estavam cansados de ver e viver as injustiças e insegurança no Brasil.

Nós nos conhecemos aqui , através de um casal de amigos em comum, já que eles escolheram morar em New Plymouth, uma cidade que fica na região de Taranaki, há 5hs de carro de Auckland. Sim, existe vida fora de Auckland!

A Mari se formou em Oceanografia, participou do programa Erasmus Mundus em alguns países da Europa como Portugal, Dinamarca e Espanha e em 2015 eles decidiram vir descobrir a Nova Zelândia. A Mari veio estudar um Diploma de Graduação – Level 7 em Gerenciamento de Projetos e o Felipe , veio com um curso de inglês durante o programa de estudos dela. Quando ela concluíu o curso e aplicou para o Post Study Work Visa, o Felipe pode aplicar para o visto de Partner e então ter direito a trabalhar full time no país.

O Felipe é o cara cheio das ideias…
Ele é formado e sempre trabalhou com marketing e publicidade no Brasil e, aqui na Nova Zelândia, depois de passar por diferentes trabalhos, criou a TENTO MEDIA. Com o conhecimento que tinha e a paixão por filmagem, investiu em vários equipamentos e hoje tem a Tento Media como seu trabalho principal. Ele já fez diversos projetos como o video institucional da Kiwi Education, casamentos, vídeos para alguns negócios locais e até cobriu o Brazilian Day de 2018 🙂

Todo mundo merece ter amigos filmmakers (e com drone). Sério! Ter amigo filmmaker é ter excelentes imagens de viagens. O Felipe filmou nossa trip de ano novo para Oke Bay (Ilha Norte da Nova Zelândia) e claro, hoje é nosso parceiro aqui do blog 🙂

Se você quiser conhecer um pouco mais do trabalho dele e também da Nova Zelândia, segue ele nas redes sociais, tem muita imagem irada de diferentes lugares do país.

 

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Jogo do All Blacks em Taranaki

O Subemprego e a Nova Zelândia

E aí gente, tudo bem?

Esse final de semana que passou tivemos aqui na Nova Zelândia um “long weekend”, ou seja, segunda-feira nós tivemos uma delícia de um feriado que há tempos não tínhamos. Aliás, o último feriado aqui foi em Junho, aniversário da rainha. Da uma olhada aqui nesse calendário da Nova Zelândia.

Daí você me pergunta “mas meu amor, SUBEMPREGO no título desse post e você começa o texto falando sobre FERIADO? As duas palavras nem combinam na mesma frase, né minha linda? ”
E é ai que vocês, brasileiros, assim como nós, estão enganados. Como nós sempre estivemos…

Neste feriado que passou nós não programamos nenhuma viagem e decidimos ficar aqui por Auckland mesmo. A previsão do tempo não tava muito animadora, não.

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A gente aproveitou bem o NADA mesmo, o sofá, a Netflix, e resolvemos sair de casa só para manter a sobrevivência, ou seja, ir comer alguma coisa.

E é aí que eu queria te contar uma coisa que me fez pensar em fazer esse post..

Por um breve momento a gente ficou um pouco puto que não tinha um lugarziiinho bom (que não fossem os fast-foods 24hs) aberto nessa cidade. MAS COMO? Em pleno sabadão ou domingão véspera de feriado, NoveEMeiaDaNoite, QUALQUER lugar que você pensar em comer TEM QUE estar aberto (além de estar cheio, ter fila de espera e etc, né São Paulo?)…. Bom, fato é que rodamos e rodamos, e estava TUDO FECHADO/ FECHANDO!

Auckland é uma cidade grande e dependendo de onde você foi criado (SP, por exemplo) você até pode discordar. Porém fica fácil de entender o que queremos dizer com “cidade grande” quando um país de 4,5 milhões de habitantes concentra 1,3 milhões de residentes numa cidade.
Mesmo sendo a cidade grande daqui da Nova Zelândia, em Auckland as lojas dos shoppings fecham as 6PM durante a semana, de domingo lojas de rua fecham as 5PM, e a maioria dos restaurantes as 9PM já estão fechados e limpos! INCLUINDO feriados… Alias, você pode encontrar facilmente lojas e restaurantes que nem abrem em feriados.

E ai parando aqueles 5 minutos pra pensar, depois desse feriado, eu tava é mesmo puta comigo mesma, porque não saímos mais cedo de casa pra jantar… porque se os restaurantes não ficam abertos até a hora que eu achar que tenho fome, significa que as pessoas que trabalham lá encerraram seus turnos e foram fazer o que bem entenderem, foram aproveitar o resto do feriado, foram VIVER!

Se você ainda não entendeu onde eu quero chegar….
A realidade brasileira criou na nossa mente uma imagem BEM ruim dos subempregos. O preconceito que nós brasileiros criamos sobre essa palavra e esses empregos está 100% ligado as condições que o indivíduo que está em um subemprego se submete.
Procurar pelo significado de subemprego no google (EM PORTUGUÊS) é bem bizarro e é um conceito que agora que vivemos aqui na Nova Zelândia não faz o MENOR SENTIDO.

O subemprego existe sim em todos os países e é considerado pela maioria deles empregos temporários, para um período do transição de carreira, ou as primeiras oportunidades de um jovem adquirir experiência profissional, ou a chance de entrar no mercado de trabalho para os estudantes internacionais (que geralmente não podem trabalhar no período full time enquanto estudam e por isso encontram empregos que permitem turnos de trabalho).
A gente já contou no post sobre como procurar emprego na Nova Zelândia que qualquer experiência profissional é levada em consideração e pode te ajudar a encontrar o emprego que você almeja. Afinal as características como o caráter, por exemplo, geralmente são as mesmas enquanto você lava um prato, ou negocia com um fornecedor.
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O termo subemprego não é visto como depreciação dos trabalhadores em lugares como Europa ou Estados Unidos e quando a gente analisa o mercado de trabalho aqui na Nova Zelândia, nem a diferença salarial é um abismo entre os empregos “qualificados” e os subempregos.

A gente está cada dia mais satisfeito em ver que na Nova Zelândia qualquer pessoa, em qualquer emprego, tem os mesmos direitos, consegue frequentar os mesmos lugares, visitar as mesmas praias, educar seus filhos, viver em lugares seguros e conseguem ter um horário de trabalho decente.
Quando o país aparece entre os tops nos rankings de qualidade de vida a posição de trabalho de um indivíduo é indiferente, porque o que importa para um ser humano é ter as mesmas oportunidades como qualquer cidadão na questão de segurança, saúde pública, lazer…
C-L-A-R-O que aqui você também pode encontrar aquele empregador que faz coisas erradas, que explora o empregado, que burla a lei…. Mas vamos considerar os 80% – 20%, tá?

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Mercer´s Quality of Living Ranking 2017

Eu não to querendo glamourisar nenhum emprego especifico e seria bem hipócrita de falar que então trabalhar como barista em um Café era o emprego que eu queria ter pro resto da minha vida. Mas eu também não vou mentir pra você que trabalhando lá eu não aprendi diversas coisas, melhorei muito meu inglês, consegui juntar um bom dinheiro, comprei um carro, tive tempo pra estudar, e viajei para diversos lugares da Nova Zelândia 🙂

FOODbarista

Hoje quando eu pensei em subemprego eu lembrei de quando eu tinha que trabalhar até as 2 da manhã pra entregar um relatório e no outro dia tinha que estar as 8am para uma reunião. Lembro do transito de 2hs que eu pegava por morar em um lado da cidade e trabalhar em outro e de manter os vidros fechados para não ser assaltada pelo caminho. Lembro também da Diretora (foda e rycah) que eu conheci que estava indo pro seu terceiro casamento e praticamente não via os filhos crescerem devido a todas as viagens internacionais que ela tinha que fazer.

No final das contas, você já parou pra pensar se você quer ter um “subemprego” ou uma “subvida” ?

Balanço Geral – 6 meses de Nova Zelândia

Dizem que o tempo passa mais rápido quando fazemos o que gostamos. Talvez seja por isso que esses últimos 6 meses passaram tão depressa. Ainda temos muito pra conhecer e viver por aqui, então as vezes rola aquela sensação de “cheguei ontem”, mas a verdade é que muita coisa já aconteceu desde que pisamos na Nova Zelândia pela primeira vez.

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Trabalhando de Labour na Nova Zelândia

Já fazia quase um mês desde que tínhamos desembarcado em Auckland e desde então nossos gastos se acumulavam ao longo dos dias. Comida, transporte, moradia… por mais que nós tivéssemos nos preparado e planejado ficar até 3 meses sem precisar trabalhar, começou a bater um desespero de ver nosso dinheiro só diminuindo.

E foi assim que começamos nossa busca por emprego aqui na NZ, cerca de 20 dias depois da nossa chegada.

No começo tudo parecia muito difícil, ainda estávamos nos adaptando ao idioma, ao clima, as aulas já haviam começado, e nenhuma das vagas que aplicamos havia dado algum retorno. Então resolvi me cadastrar em algumas agências de labour, dessas que contratam estudantes e outros viajantes temporários para serviços gerais na área da construção. Peão mesmo, saca?

A primeira a me dar um retorno foi a Onestaff, que me chamou para uma espécie de entrevista. E lá fui eu, sem a menor idéia do que eu ia fazer.
Bom, a moça que me atendeu pediu para eu preencher um formulário com meus dados, um outro assinalando minhas experiências profissionais (nulas, no que diz respeito a trabalhos braçais), mais alguns papéis atestando que eu estava fisicamente apto para o tipo de trabalho, me falou um pouco sobre o tipo de trabalho que eles poderiam me arrumar e perguntou se eu realmente tinha interesse no trabalho. Sim, eu tinha! Não via a hora de ganhar algum dinheiro, seja lá qual fosse o trabalho!

Então ela pediu que eu entrasse em um banheiro e urinasse dentro de um potinho. Isso mesmo, caí no antidoping sem nem entrar em campo! Mas como sou caretão, tava tudo limpo.
Depois, me deixaram numa sala junto com outro cara assistindo um vídeo sobre segurança no trabalho, com as encenações mais bizarras e mórbidas, e ainda nos fizeram responder um teste para avaliar nosso entendimento sobre o assunto. Pra fechar, como eu não tinha nenhum equipamento para trabalhar, ganhei um kit com botas, colete laranja, capacete, óculos, luvas e protetor de ouvidos.
Ah, também assinei um termo me comprometendo a devolver o kit caso eu me desligasse da empresa, caso contrário seria descontado dos meus rendimentos.

Voltei pra casa sem ter certeza de quando eu começaria a trabalhar e nem de qual seria o trabalho, até que logo nos dias seguintes recebo uma ligação da mesma moça me chamando para um trabalho.

Minha função seria cimentar uma estrutura dentro de uma empresa de tratamento de lixo…… Bora!
Compareci no horário combinado pra pegar carona com 2 iranianos até o local do trabalho. Passei quase 10 horas trabalhando, espalhando cimento em uma ladeira por cima de uma tubulação, debaixo de sol. Entre um caminhão de cimento e outro, contava meus planos a um funcionário da empresa que estava nos ajudando no dia, e ouvia algumas palavras de incentivo.

No fim, já cansado, os iranianos acabaram me deixando no ponto de ônibus errado e ainda tive que andar mais 30 minutos até o ponto certo. Era um trabalho de um dia só, agora teria que esperar a agência me ligar de novo.
Cheguei em casa esgotado, confesso que fiquei me perguntando se valia a pena passar por isso. A resposta veio logo que recebi meu pagamento, algo em torno de $160 pelo dia. Não via a hora de ir de novo!

A Onestaff nunca mais me chamou pra nenhum trabalho, mas em compensação, logo na semana seguinte recebi uma ligação da AWF, a maior agência de recrutamento nessa área.
Compareci ao escritório e passei pelo mesmo processo de contratação. Dessa vez me garantiram trabalho toda segunda e terça, os únicos dias que eu tinha disponibilidade.
Era só esperar a van ali no centro, ir até a agência e eles me levariam até o local de trabalho. Aliás, eles me pareceram muito mais organizados e com muito mais trabalho pra oferecer.

E essa foi minha rotina por algumas semanas. Trabalhei carregando entulho, serrando tábua, desmontando andaime, descarregando caminhão, reformando jardim, cortando mato na beira da estrada, usei britadeira (!), misturei cimento… embaixo de chuva ou de sol, e qualquer outra coisa que me pedissem pra fazer na obra, quase sempre ganhando o salário mínimo ($15.25 /hora).
Fiz isso por pouco mais de um mês, até ser chamado pra trabalhar em uma loja de móveis como vendedor.

Durante esse tempo conheci gente do mundo todo, uns juntando uma grana pra poder continuar viajando, outros se virando pra ajudar a família. Me divertia na volta pra casa ouvindo as histórias e falando besteira. Pode parecer cliché, mas também foi legal me despir desse preconceito que eu achava que não tinha, mas que no fundo sempre achava que as pessoas estavam me julgando por estar voltando todo sujo de um dia de trabalho. Vale lembrar que sempre fui tratado com enorme respeito por aqui.

Voltava pra casa sempre bastante cansado, mas com uma sensação bacana de que havia feito algo importante. Eu que estava acostumado a ver o resultado do meu trabalho somente em números, dessa vez podia ver o resultado ali com meus próprios olhos.

Não posso dizer que esse é o tipo de trabalho que eu quero pra minha vida, mas afirmo com toda certeza que se um dia eu precisar estarei lá com meu “kit peão” na mochila, pronto pra outra.

ps: até hoje, a Onestaff nunca me cobrou pelo kit, mas também nunca mais me chamou pra trabalhar… acho que esqueceram de mim.